Segunda-feira, Março 19, 2012

Gato do mercado detido... no Casino

O gato acabou detido por um agente da PSP 

Um gato ruivo - suspeito de estar envolvido nos recentes assaltos ao mercado municipal (LER AQUI) - foi detido na noite de Sábado no Casino, após se ter introduzido, sem convite, num jantar de lampreia que ali decorria. 

O felino, já com antecedentes de intrusões em locais onde a maioria das pessoas não quer ou não consegue ir, foi detectado a sair subrepticiamente do Salão Caffé, exibindo na sua posse restos de lampreia que terá furtado da mesa de honra, mais especificamente do prato do Presidente da Câmara. 

Minutos antes, alguns convivas tinham já detectado o desaparecimento de algumas porções de lampreia, o que levou à constituição de uma 'task force' informal - constituída por um autarca de freguesia, dois padres e vários professores de diferentes níveis de ensino - no sentido de identificar o larápio. 

Sexta-feira, Março 16, 2012

Aqui há... gato?


Foi a história - a historieta, vá - do dia de hoje: parece que o mercado municipal foi assaltado. E parece que os assaltantes foram ao mercado não uma, mas duas vezes. Parece. E parece que das duas "vagas" de assaltos - coisa que, como se sabe, nunca é pequena, quando a "vagas" se associam "assaltos" - nem sinal dos assaltantes. 

Mas também parece que, afinal, não será bem assim, segundo reza a edição do Diário As Beiras: é que, fazendo fé nas declarações, reproduzidas pelo jornal, do presidente da associação de comerciantes do dito mercado, foi identificado um cúmplice, pelo menos da segunda vaga de furtos. 

E o cúmplice... é um gato! Um gato que mia e, coisa estranha, estava em cima do telhado! Isto até "alguém" pedir aos diligentes bombeiros para irem buscar o felino... 

Se o leitor já está de olhos esbugalhados, o melhor mesmo é reproduzir ipsis verbis as declarações da fonte da noticia, na parte em que relaciona o gato com a segunda onda de assaltos: "Pode estar no cinismo de alguém, para gozar com as pessoas, estabelecendo assim o início para assaltar as galerias - foi a partir desse momento que começaram a  ser assaltadas", conjetura. 

Trocando este português por miúdos: o gato foi posto no telhado por alguém (porque, enfim, é um gato e não conseguiria lá chegar sozinho) para, desse modo, esse alguém situar no tempo o início dos furtos. Infelizmente ficamos sem saber se era preciso o gato miar - e miou "durante dois ou três dias" - para o assalto ter início! 

Diz a mesma fonte, arriscando outra possibilidade para a onda de assaltos (e, com grande pena nossa, esta versão não inclui gatos): "Entendo a vaga de assaltos como uma forma de pressão para que as pessoas estejam mais disponíveis para saírem do mercado". Qualquer coisa como isto: os comerciantes vão sair para o mercado provisório em Maio e, entretanto, "alguém" - possivelmente o mesmo que pôs o gato no telhado - anda a assustá-los para que saiam mais cedo. Do estilo, fujam que vem aí a ladroagem! 

Voltando à questão "gato" que, convenhamos, tem infinitamente mais piada do que outra qualquer: embora o jornal garanta que o felino "não é suspeito" da onda de furtos, se fosse eu desconfiava. Afinal de contas, estamos a falar de um animal reconhecidamente independente, assim a modos que para o furtivo e um bocadinho anti-social. 

Depois, em redor do mercado municipal, o que não faltam são gatos. Às dezenas. Às centenas. Tantas vezes os vemos a espreguiçarem-se ao sol, no muro da antiga escola das "freirinhas", ociosos, os pilantras! 

Aliás, em rigoroso exclusivo para este blog (embora sob anonimato por temer represálias), um dos felinos assumiu suspeitar de outro, um tal de "ruivo", conhecido por deambular pela zona do jardim municipal, à cata de uma ou outra pomba mais distraída: "É um aventureiro, telhados é com ele. Ainda a semana passada esteve horas a miar no cimo do prédio ali do lado [ndr - o edifício O Trabalho] só para se armar", revelou. 

O suspeito em causa tem antecedentes de violência, embora num passado um tanto ou quanto longínquo: "Era o terror dos patos e dos peixinhos vermelhos do jardim, quando havia o lago e aquele fosso em redor do coreto. Agora não há lá nada, é uma tristeza, já nos prometeram o coreto de volta mas não há maneira", afirmou. 

A suposta ligação gato/assalto encontra ainda eco noutro felino, cliente habitual das bancas de peixe do mercado, adepto da teoria da "pressão" sobre os comerciantes e de outras teorias, todas elas conspirativas. "O que o meu amigo tem de fazer é investigar se o vice-presidente da Câmara tem gatos em casa! Vai ver que tem sim senhor, mas são gatinhos de companhia, não são gatos de rua. Se pusessem um gatinho desses num telhado, ele miava dia e noite, percebeu ou quer que lhe explique?", disse, assanhado. 

De acordo com esta fonte e seguindo a mesma linha de pensamento, o gato do vice-presidente da Câmara teria sido posto no telhado, para irritar os comerciantes, pela própria Protecção Civil municipal, depois de esta ter cumprido os afazeres diários relacionados com o boletim meteorológico. Ali ficou, sozinho, esquecido, amedrontado, a ponto de quase ter sido desmascarado e, não fosse a pronta intervenção dos bombeiros municipais - que realizaram um simulacro no telhado do mercado, incluído, à pressa, no programa do aniversário da corporação - teria dado com a língua nos dentes! Miaaaauuuuu! 

Quinta-feira, Março 15, 2012

O (ex) Centro de Congressos


A pedido de várias famílias, eis o sonhado Centro de Congressos da Figueira da Foz, (ante)projectado pelo arquitecto catalão Ricardo Bofill e nunca concretizado. Estávamos em 2001... e a desistência do sonho de Santana Lopes, orçado nuns valentes 14 milhões, custou, mais tarde, ao erário público umas centenas de milhar. Diz-se! Que transparente foi coisa que o processo (de desistência) nunca foi... com acordos sigilosos à mistura, como convém! 

Quarta-feira, Março 14, 2012

O sonho comanda a Câmara




Quando o poeta escreveu que «O sonho comanda a vida», não estaria, seguramente, a pensar que as suas palavras haveriam de servir para animar os debates executivos, menos ainda para nortear sucessivas gestões camarárias. E, todavia, assim parece estar a acontecer. Senão, vejamos: na última reunião de Câmara, a bancada do PSD criticou o gasto de 66.000 euros do erário público com prémios do concurso de ideias para o areal da praia, alegando que os projectos vencedores não passam, pelos custos que a sua execução acarretaria, de sonhos não exequíveis nas próximas décadas. O PS, agora no poder, contra-argumentou, pela voz do vereador António Tavares, com os sonhos laranja de mandatos anteriores, também eles pesados para o orçamento municipal, na época em causa a cargo do sonhador Pedro Santana Lopes. 
Miguel Almeida, antigo vereador de Santana, hoje seu chefe de gabinete, líder da concelhia social-democrata figueirense e eventualmente futuro candidato laranja à autarquia, ripostou com uma espécie de invocação do outrora legítimo direito de sonhar: os tempos eram outros, que é como quem diz que as vacas eram gordas, e havia expectativas de atrair investimentos que permitissem a concretização dos sonhos, fossem eles um centro de congressos ou outro qualquer megalómano projeto assinado por arquitecto de renome. 
Os tempos mudaram, é certo. Os sonhos, esses, permanecem, sucedem-se, acumulam-se, renovam-se… e pagam-se. Não apenas com o dinheiro que, como se sabe, escasseia nos cofres municipais como nos bolsos das famílias, mas com o capital de confiança dos eleitores, neste caso os figueirenses, cada vez mais cansados de verem os políticos que elegeram – ontem como hoje e previsivelmente amanhã – mais preocupados em justificarem o direito ao sonho do que em melhorarem a realidade dos seus concidadãos.
O sonho comanda a vida? Ainda bem. Mas não seria mais sensato, nesta altura, que a vida refreasse os sonhos? Pelo menos até que os portugueses em geral, e os figueirenses em particular, voltem a conseguir dormir e… a sonhar com dias melhores!

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012

O Coreto a desfilar...



Num desfile do Carnaval de Buarcos que registou uma das maiores enchentes de público dos últimos anos mas foi fraquinho no que à animação diz respeito - salvam-se as escolas de samba, para quem gosta do género - e ideias, piadas e disfarces (já não há pachorra para tanta troika), dois dos melhores carros (é subjectivo, eu sei, mas não sou jurado, posso opinar à vontade) dedicaram a atenção a assuntos locais. 
A associação Império Jovem (de Manuel Domingues, Tiago Cadima e companhia) construiu uma replica do antigo coreto do jardim municipal, e vai de por João Ataíde a pedir ajuda a Paulo Futre para cumprir e promessa de o recolocar no sítio... e este a propor um coreto... chinês! (Um bocadinho forçada a anedota, mas adiante)!
A réplica não incluía o fosso de água em redor, nem peixinhos vermelhos... mas os jovens do (anterior) império (e chega de analogias que já se sabe que os rapazes não têm nada a ver com uma qualquer juventude partidária e levam a mal a referência) acharam por bem levar dois (enregelados) patos para compor o quadro! O que, convenhamos, não teve piada nenhuma...! 

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

Ai a matemática!

Ou, como depois dos comunicados 2.0 vieram agora os discursos 0.2... 
A política tem uma relação - como explicar isto? - assim a modos que distante da matemática. Uma ciência exacta, está bom de ver, não se coaduna propriamente com uma actividade - seja no discurso ou na prática do dia a dia - que de exacto (sim, e coerente, ordenada, blá blá blá) nada tem. 
Partindo desta premissa - politica vs. matemática = azeite vs. água - menos se compreende a verdadeira atracção que os números exercem (ou andam a exercer, nos últimos dias) na actividade política - ou espécie de... dizem as costumeiras más línguas - cá do burgo! 
Depois de 1/2 rei de Carnaval - embora se garanta por aí que a sua deslocação à Figueira vale por quatro (logo 4x) temos no horizonte 1/2 tolerância de ponto e, por via disso mesmo, mais um destaque a nível nacional ao nível da originalidade. 
Depois há os já famosos comunicados, em si mesmo um tratado de multiplicação, e, de quando em vez, sinónimo de divisões. Mas agora, por último, a equação parece (e é) ainda mais difícil: trata-se de pegar num discurso - e um dos bons, já agora - lê-lo sem o destinatário estar presente (coisas da política local... ah, perdão... da radioactividade que afecta os políticos locais), ser prendado com uma segunda hipótese (e não há fórmula matemática que quantifique a sorte), dividir a argumentação original em n pedaços, escolher dois ou três, transmiti-los outra vez... ufff... e, ainda assim, conseguir passar a mensagem! Impossível de acontecer... se a política fosse, como a matemática, uma ciência exacta! 

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

Alguém tem uma moedinha?


Depois da coleta de moedinhas para o nosso Presidente da República, os figueirenses estão a pensar fazer uma “vaquinha” para comprar um calendário ao vereador António Tavares. Então não é que o responsável do pelouro da Cultura da autarquia marcou para as seis horas do próximo domingo (de Carnaval, claro está) – e no dia em que o desfile até tem rei – a apresentação do livro “Probabilidades – Pintura e Desenho”, de António Gonçalves?
Eventos destes já não costumam, infelizmente, ser muito participados, mas em Domingo de Entrudo atrevemo-nos a antecipar que nem a presença anunciada do escritor Valter Hugo Mãe vai evitar o embaraço de se prendar o autor do livro e o convidado especial com uma afluência fraquinha… É verdade que há muito quem não goste do Carnaval, mas esses, por norma, nem saem à rua nos dias de desfile…!
Se esta apresentação tivesse sido marcada para terça feira, ainda havia a desculpa de se estar a fazer fé (como no caso “Rei Futre”) na não existência de tolerância de ponto nem de corso carnavalesco… assim, é mesmo ausência de calendário!

Quais são as “Probabilidades” de não aparecer ninguém?

Oposição de ponta… pé!


Como que a mostrar que há, de facto, um novo alento, uma nova força na oposição camarária social democrata – numa segunda fase será anunciada uma qualquer vaga de fundo, querem apostar? - uma nova maneira de estar, uma nova forma de atuar politicamente (sim, sim, já chega)… o anunciado candidato à concelhia do PSD e vereador camarário, Miguel Almeida, decidiu demonstrar aos seus colegas de bancada como se resolvem problemas de forma… err… expedita, pronto!
O episódio passou-se momentos antes da última reunião de câmara: Teresa, João e Miguel viram-se, de repente, no corredor, impedidos de aceder ao seu gabinete, já que a vetusta porta teimava em não abrir. Lá apareceu uma funcionária, chave (mestra?) na mão, mas nada, nicles, batatoides… porta fechada. Alguém ainda terá adiantado a possibilidade de se chamar a Protecção Civil Municipal – a tal que, por estes dias, com novo comandante, parece ter renascido para a vida – mas, àquela hora, os meios operacionais estavam adstritos à medição da temperatura matinal e a hipótese gorou-se.
Miguel não se ficou: um encontrão e a velhinha porta – quem sabe conhecedora de que o vereador, ao contrário de tempos passados, ali pouco ou nada manda – nem se mexeu. À segunda tentativa, isso sim, a porta vergou… a pontapé!
Consta nos corredores do município que Miguel Almeida tem treinado afincadamente para deitar abaixo outras portas e que o episódio do gabinete da vereação foi só mais uma etapa num objetivo mais ambicioso.
Pelo sim pelo não, o presidente João Ataíde já chamou o homem das chaves e mandou reforçar as entradas do seu gabinete…!

Lembram-se do coreto?

Uma das mais emblemáticas (e estapafúrdias, vá) promessas eleitorais das últimas autárquicas disse respeito, como toda a gente tem bem presente, ao coreto do jardim municipal. Pois quis o azar que a lista vencedora tenha sido, precisamente, aquela que fez tal promessa. E, de tempos a tempos, lá (re)aparece o coreto como que a assombrar João Ataíde e companhia.
Desta vez foi na sessão de apresentação pública dos projectos de requalificação urbana: estava a plateia mais ou menos em sossego - salvo a costumeira intervenção do representante dos comerciantes do mercado e uma outra sobre se a obra inclui ou não casas de banho (!) - quando se ouviu uma voz a reclamar, precisamente... o coreto!
Apanhado de surpresa pelo tema, o presidente da Câmara foi lesto a responder, sim... mas com uma replica que ainda lhe vai trazer engulhos: "Se me disser onde por o coreto, podemos pensar nisso!". Contra argumentou, de pronto, o municípe: "Não fui eu que o prometi, sr. dr".
A afirmação de João Ataíde - comparada com a promessa eleitoral de devolver ao jardim o coreto -  dá azo a várias constatações: se é certo que o layout, o desenho, a organização do espaço do jardim municipal é exactamente a mesma que era em 2009... será que os estrategas da campanha socialista nunca tinham lá posto os pés? Se o coreto não cabe lá agora, como cabia na altura, e tanto cabia que o prometeram?
E outra: a avaliar pela disponibilidade manifestada, daqui para a frente o que não vai faltar na autarquia é uma verdadeira democracia participativa, ao estilo "damos crédito às sua ideias" (há um banco qualquer que já se lembrou desta, aposto). Já estamos a ver a senhora Câmara Municipal transformada numa espécie de
assembleia magna da Associação Académica de Coimbra, onde qualquer maluco propõe o que lhe apetece e, se a proposta for sufragada pela maioria, a direcção (que remédio) tem de a cumprir. Ou, pelo menos, fazer que cumpre!
O coreto, como a aldeia do mar, como o festival de cinema, o mundialito de futebol de praia, ou os livros grátis para todas as crianças da primária serviu um e um só propósito... caramba, havia que encher de ideias e frases atractivas cartazes de oito por três metros, não era? Era.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

Requalificação urbana: a obra do regime

À entrada de 2012 - e finalmente, dirão alguns - parece que é desta que os atribulados projectos da requalificação urbana, sonhada mas não concretizada no anterior mandato, finalmente arrancam. Em obra, isto é! Se estão ou não concretizados no final do (optimista) prazo, no verão de 2013... isso já são outros quinhentos! 
Quer-me parecer - salvo um cataclismo qualquer, que, a acontecer, daria de vez cabo do também atribulado mandato do executivo socialista - que a obra do mercado será aquela mais provável de concretizar durante o próximo ano e picos. Quanto mais não seja pela  (inevitável) pressão da comunidade, e nesta não se incluirão, somente, os comerciantes do espaço. 
Já a obra de requalificação da envolvente do forte de Santa Catarina, embora igualmente sujeita a apertados prazos, será, por assim dizer... uma incógnita. À distância de 15 meses, dificilmente alguém conseguirá adivinhar se tudo o que está no projecto será (ou não) realizado. Embora não faltem já aqueles que apostam que meados de 2013 é uma meta impossível de cumprir. 
Paradoxal, no entanto, é que a requalificação urbana, obra do regime anterior, possa aparecer, agora, como obra maior do actual regime. 
Ou a prometida aldeia do mar transformada em lago, o espelho de água em redor do forte. É a crise? 

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

O Carnaval (mas agora a SÉRIO)

O recente episódio do Carnaval de Buarcos-Figueira da Foz, também conhecido por "Paulo Futre, rei por um dia", presta-se a um sem número de piadas e críticas que, envolvidas no espírito da época, parecem incorrer num pecado antigo: o de, distraídos com o supérfluo, descurarmos o essencial. E aqui, como em tantas outras situações, o cerne da questão é a VERDADE e o que se escolhe fazer com ela: assumi-la, escondê-la ou instrumentalizá-la.
Na conferência de imprensa de apresentação do programa do Carnaval o desfile de terça-feira foi condicionado à concessão da tolerância de ponto pelo Governo, numa altura em que se adivinhava que nem a Troika nem Passos Coelho estariam inclinados a autorizá-la.
Tivesse sido tudo assim tão linear e nunca a ausência do anunciado rei Futre teria sido um problema, porque nem sequer seria questionada (se não há desfile na terça, não é preciso rei nem rainha... nem o senhor de La Palisse faria melhor)!
A isso, porém, chama-se bluff ou, em português mais prosaico, contar com o ovo no dito cujo da galinha, algo que não costuma ter bom desfecho.
Não teve, como se viu. Serviu, porém, para confirmar que há realmente, neste executivo camarário, uma relação instrumental com a verdade, a lembrar as estratégias dos advogados de defesa: só se dá a conhecer os factos que interessam e que servem a versão que querem ver (a)provada.
O que importa, agora, saber é:

1) Está o presidente da Câmara da Figueira por trás desta opção de servir a verdade às fatias, tipo pizza, consoante a necessidade da opinião pública?
2) Ou – o que será eventualmente pior – não estava de todo a par do que se passava?
3) Ou – definitivamente mais grave - terá delegado noutros a decisão, por excesso de confiança ou para se preservar de poder ser acusado de mentir (como foi) ou de pelo menos omitir a verdade?

Quem conhece João Ataíde como autarca sabe que há duas maneiras de o "tirar do sério": questionar a sua honorabilidade ou tentar acusar/lesar de qualquer forma aqueles que lhe foram leais ou tomaram alguma decisão sob sua tutela. 
Assim, pela honorabilidade, que até agora não hipotecou, parece afastada a primeira hipótese. Pela inteligência, ainda que manchada por uma cada vez mais flagrante falta de traquejo político, afastamos a segunda. Resta, assim, a terceira: Ataíde confiou a terceiros da sua confiança, passe a redundância, não apenas a negociação do dossiê do Carnaval mas também a gestão da sua comunicação. E, quando tudo correu mal, manteve-se fiel a si próprio, tentando emendar a mão sem servir a cabeça de ninguém na bandeja.
De arranjar bodes expiatórios (para além dos jornalistas, mas esses já estão habituados, embora declaradamente não gostem - alguém gosta? - de serem enganados e ainda levarem com a culpa do "engano") ninguém pode acusar João Ataíde. Mas há um problema nesta postura do presidente da Câmara - é que tem tanto de nobre como de eventualmente ingénua e até perigosa. 
Sabendo que contam com a sua protecção, manifestada até de forma irada em reuniões de Câmara se preciso for, aqueles que trabalham com ou para João Ataíde podem cair na ilusão da impunidade. E isso pode dar (tem dado?) origem a muitos problemas, de directores de departamento cujo voluntarismo desafie a lei a técnicos que forcem pareceres favoráveis aos intentos do chefe benevolente e protector.
Na ânsia de agradar ao presidente – mas eventualmente também porque o risco de se comprometerem é mínimo – os seus colaboradores e subordinados podem ser tentados a tudo: até a esticar ou a encolher a verdade, conforme a conveniência. E isto é tão mais perverso quanto, em última análise, pode ser usado, de dentro, contra o próprio João Ataíde. Com a certeza de que o presidente nunca entregará ninguém numa bandeja, seja ele João Baptista ou Judas Iscariotes.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

Parque-Cine


Segunda feira, em plena vertigem "era para haver/não há não senhora/olhe que eu vou até aí e de carrinho/espere lá, espere lá/não há não senhora/vamos lá resolver isto" do desfile de Terça-feira de Carnaval... emitiu a Câmara Municipal um comunicado a dizer... que ia ouvir o povo e depois decidia! 
A decisão passava, pasme-se, por uma (suposta) auscultação de parceiros sociais, empresas e serviços do burgo e arredores... e a coisa terá sido de tal ordem que até a rede informática da autarquia deu o berro! 
Horas depois já estavam todos amigos outra vez... mas da referida "auscultação" nem sinal! Ninguém atendeu o telefone, foi? 

Príncipe Regente... procura-se!


Demonstrando uma notável capacidade de antecipação (sim, é piada) a Câmara Municipal partiu em busca de um substituto para o rei do Carnaval de Buarcos - mas só para o dia de Entrudo propriamente dito e da parte da tarde. 
O rei, aliás, não será propriamente um rei mas antes uma espécie de principe regente. Isto porque o monarca eleito como tal disponibilizou-se sim, mas só para vir passar o fim de semana (demonstrando, como se ainda fosse preciso, que nem no inverno o problema da sazonalidade larga esta terra).
Sem rei (nem roque, ao que se diz por aí), a organização do Carnaval meteu qualquer coisa à obra (habitualmente seriam as mãos, mas como o processo parece ter sido gerido com os pés...) e avançou com a ideia - subtilmente roubada a um concurso televisivo de grande audiência - de descobrir o regente do reino do Entrudo de Buarcos através de um casting... os potenciais candidatos só tem de saber dançar qualquer coisinha, conforme a música que lhes vão dar. Dotes de cantoria não é preciso porque a rainha ensina!
A escolha do monarca substituto ainda não tem local nem data marcada, a qual deverá ser conhecida através de comunicado a avisar que vão avisar. É de supor que novo comunicado divulgue, depois, o vencedor do concurso, embora, caso o resultado só chegue depois da hora do expediente, exista a hipótese  de alguém partir do principio que o público - essa entidade omnisciente - já sabe e não se dê ao trabalho, sequer, de o comunicar.
Resta dizer que a competição tem limite de idade - não declarado, mas não consta que sejam admitidos participantes de cabelos brancos e mãos calejadas de uma vida de trabalho. A regra nada tem a ver, porém, com eventuais dificuldades físicas subjacentes a um desfile de horas pela avenida. Trata-se, apenas, de impedir a candidatura do presidente da junta de Buarcos, o tal que ameaçou levar o próprio carro alegórico a visitar o gabinete do Presidente da Câmara.
É que a organização não tem dúvidas que se o autarca concorresse... ganhava! 

Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

Frase do dia

"A Câmara concedeu tolerância de ponto ao rei do Carnaval" (Tiago Cadima, vereador do PSD em substituição, hoje na reunião de Câmara, aludindo ao facto de Paulo Futre, afinal, não por os pés em Buarcos na Terça-feira de Carnaval. Coisa que alguns alegam que já se sabia mas que ninguém sabia! 

Domingo, Fevereiro 05, 2012

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

A banda a passar (em ritmo de Carnaval)

Eu – que até sou daqueles que acha que Carnaval de modelo brasileiro, em meados de Fevereiro, no hemisfério norte, obriga à máxima “ou te mexes ou congelas” (isto, observando, em particular, as folionas que se esqueceram da roupa em casa) sou levado a concordar que a organização do Carnaval de Buarcos, desta vez, acertou na mouche no que ao casal real diz respeito.

Paulo Futre dispensa apresentações – ainda mais depois do episódio chinês/charters/concentradíssimo – e, a seu favor, tem a vantagem de ser, genuinamente, simpático, alegre e bem disposto.

A rainha, Margarida “Cafezeiro” São Pedro, só não dispensa a apresentação da praxe porque fora dos limites da freguesia buarcosense serão poucos os que sabem quem é: já assumiu a real função por duas vezes nos anos 80, canta, está na génese de um grupo de foliões que se transformou em escola de samba e, há mais de três décadas, que não falha um Carnaval da sua terra.

Se calhar, a melhor definição que ouvi, por estes dias sobre o par real foi… “olha que dois, vai ser uma animação!”. A avaliar pela conferência de imprensa de apresentação do evento, o pior que poderá mesmo acontecer será Paulo Futre cumprir a promessa e cantar – “mal, mas vou cantar”, disse - correspondendo ao desafio da rainha, que avançou logo com uma versão do tão na moda “Ai, se eu te pego”, com direito a mini-coreografia e tudo.

Claro que não faltaram as referências aos charters “que vão vir à Figueira”, desta vez não carregados de chineses mas de povo; a repreensão a uma “sócia” que abordou a vereadora Isabel Cardoso estava Futre no uso da palavra. Logo depois, como que embalado para o golo, resolveu considerar o Carnaval de Buarcos “o mais tradicional” de Portugal… Paulinho, é uma coisa bonita de se dizer, só te fica bem… mas não vale a pena exagerares, que nem a malta de cá acredita!

João Ataíde, esse, era um homem satisfeito: a festa não será panaceia para os males do País nem da cidade, mas, convenhamos, de tristezas está o povo farto! Tá bem que se ia espalhando ao comprido com a referência ao Carnaval “da Figueira da Foz” – mas da plateia logo saltou, misto de ajuda e ameaça, o “ponto” José Esteves, autarca da freguesia, replicando: “Buarcos, Buarcos”! E a coisa passou… 

O que me fez lembrar “A Banda”, de Chico Buarque, que como se sabe, também passava. Aqui fica, pois, a versão alternativa da letra da conhecida música brasileira: 

Estava à toa na Avenida
O presidente chamou
Pra ver o Futre chegar
Dizendo coisas de humor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver o Futre chegar
Dizendo coisas de humor

O homem pobre que pedia dinheiro parou
O político que fazia campanha arrebitou
O jornalista que fazia a notícia publicou
O que viu, ouviu e passou a mensagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a FGT toda se assanhou
Pra ver o Futre falar
Dizendo coisas com humor

A rainha cantora se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moça pra sair no terraço e cantou
E até a oposição feia se debruçou na janela
Pensando que o Futre jogava com ela, com ela

A marcha alegre vai espalhar-se na avenida 
O sol que vive escondido, surgir
Minha cidade toda vai se enfeitar
Pra ver o Futre passar
Dizendo coisas de humor

Mas para meu desencanto
O que é doce vai acabar
Tudo vai voltar ao seu lugar
Depois de o Futre passar
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois do Futre passar
Cantando coisas de humor, 

O homem pobre que pedia dinheiro vai voltar
O político que fazia campanha regressar
O jornalista que fazia a notícia vai continuar
A ver, ouvir e passar a mensagem
De que alguém se vai insurgir
Pensando que a Figueira não deve rir

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Vão vir charters...

À Beira-Mar revela aqui, em rigoroso exclusivo - depois de se saber, hoje, pelos jornais, que Paulo Futre é o rei da edição 2012 do Carnaval de Buarcos - o plano da empresa municipal Figueira Grande Turismo para os dois dias de festa: 


Para além do plano arquitectado para os estacionamento dos voos charter carregados com resmas de chineses - cujo pacote turístico inclui manhãs livres para visitas às novas frutarias espalhadas pela cidade - a proposta da FGT à autarquia passa por vedar uma das faixas da avenida do Brasil e convertê-la em pista de aviação. 

No entanto, esta opção implica que o corso do Carnaval decorra num único sentido da avenida (Figueira / Buarcos ou vice-versa) e conta com a oposição total do executivo da junta de freguesia de Buarcos: "Isso é que era bom, o Carnaval começa e acaba em Buarcos, nem que o corso tenha de dar a volta à cidade e voltar pela rodovia urbana", disse alguém, recusando ser identificado. 

Aliás, adiantou que o executivo liderado por José Esteves ameaçou, de pronto, levar o corso para a zona das muralhas, promover um ataque de piratas e, de enfiada, voltar a por o marégrafo de pé! 

Já a opção de estender os voos a países de língua portuguesa foi, entretanto, abandonada porque a empresa municipal de turismo receou que entre os foliões aparecessem inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras! 

A casa dos segredos (ou a Oeste... nada de novo)



Com Janeiro não chegou só uma espécie de nova era na condução dos destinos políticos desta santa terrinha. A juntar à proliferação de comunicados, à radicalização do discurso, às movimentações partidárias… em suma, ao nervoso miudinho que para aí vai (e falta a parte da reabertura de clivagens e feridas antigas, mas “eles” lá chegarão)… eis que, em assumido tempo de crise, a Figueira da Foz inova e de que maneira: de um momento para o outro parece que a solução para os males do burgo, para a identidade colectiva, para potenciar a participação cívica, para dar voz aos desconsiderados e descamisados é… um jornal!

O pontapé de saída (e, sim, acreditem, a terminologia futebolística aqui faz todo o sentido) foi dado há uns 15 dias na Meca de toda a comunicação actual... a rede social Facebook, claro.

De um momento para o outro, o jornal A Linha do Oeste… tcham tcham tcham… voltou! Ou por outra, anunciou que voltou. Não é bem assim… anunciou que voltará, assim é que é! Anunciou, a ideia recolheu uma massiva adesão de 31 “gostos” no Facebook, formou-se uma onda gigante, um turbilhão imparável, uma vaga tão de fundo que parece que entrou pela porta de um qualquer escritório, saiu pela janela e desvaneceu-se no jardim… Parece! E, dito isto… temos (algum, poucochinho) pano para mangas…!

Anunciar o regresso de um título que saiu das bancas há uma década, apelando ao saudosismo – ai Figueira, tão saudosista que és – dos leitores, interventores políticos (mas só os que, à época, não estavam no poder, o mesmo poder, rosa ou laranja que criticava publicamente o jornal, e, depois, em privado, dava sonoras gargalhadas e amigas palmadinhas) e de todos os opinion makers locais, é, convenhamos, uma grandiosa tarefa.

Anunciar o regresso de um título recordando edições antigas dos jornais, recordando o que esse título foi, na sua época, não é ser grandioso… dar a entender que os pais da criança (original) estiveram adormecidos década e meia e agora acordaram para a vida, outra vez… não é, de todo, ser grandioso… querer dar a entender que qualquer um faz um jornal idêntico, tal qual a Linha do Oeste era… e tanto assim é, que aí está o anunciado regresso… presunção e água benta cada um toma a que quer, lá diz o povo!

Durante quase quatro anos fiz parte da pandilha (não há outra maneira de o dizer) que editou, no meu caso semanalmente, o jornal A Linha do Oeste. Pandilha sem qualquer sentido pejorativo, muito pelo contrário, apenas porque se tratava de um grupo de gente que só podia ter enlouquecido para conseguir criar, naqueles tempos e naquelas condições, um produto jornalístico que marcou – mal ou bem – uma época nesta cidade.

Podia aqui dissertar sobre centenas, milhares de histórias desses tempos, mas isso fica para um outro local mais próprio. Prefiro só assinalar o verdadeiro gozo que dava fazer aquele jornal, deixando o resto à imaginação de quem me lê.

No seu tempo, A Linha do Oeste lutou sempre, abertamente, contra censuras, silêncios e segredos. É, no mínimo, paradoxal que agora, se anuncie o seu regresso… em anonimato funcional. Quem diz que faz e quem manda fazer é segredo (segredo de Polichinelo, mas segredo), quem dirige e gere canta hossanas nas alturas ao projecto… mas sem se descair (logo, em segredo) e, quem trabalha e edita o jornal - se é que o jornal vai chegar a ser jornal - ninguém sabe (mas serão os únicos que dificilmente o conseguirão fazer… em segredo)!

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Ideologias vs. Tecnologias


Depois do anunciado candidato à concelhia do PSD ter dito que a sua lista será formada através de uma forma inovadora, este blog, revela, em rigoroso exclusivo, uma das inovações de Miguel Almeida! 

O anúncio pré-anunciado

Miguel Almeida comunicou ontem aos órgãos de comunicação social o que há muito se sabia: que é candidato à comissão política concelhia do PPD/PSD. 

No texto que assina, em folha de rosto onde já está inserido o seu logotipo – um coração a fazer lembrar a filigrana minhota, mas com a silhueta de um Forte de Santa Catarina (em obras?)  e um peixe (será um golfinho, o delfim do omnipresente Pedro Santana Lopes?) – e o seu lema, “Figueira, de alma e coração”, o vereador não executivo da autarquia figueirense e chefe de gabinete do vereador não executivo da Câmara lisboeta (o mesmo Santana Lopes) dá a conhecer as razões da sua candidatura. Dá? Bem, vai dando… algumas escreve-as, outras adivinham-se. 

Senão, vejamos: 
O comunicado começa com uma referência temporal: “Três semanas após o actual presidente da comissão política concelhia da Figueira da Foz do PPD/PSD ter anunciado que não é candidato a um 3º mandato… ”. E quem é o actual presidente? O aparentemente inominável Lídio Lopes, que até já veio a público admitir que apoiava a candidatura de Miguel Almeida. Ingratidão? Desinteresse? Demarcação? Gralha? Esquecimento? O tempo o dirá.


Adiante. “Entendo, sem falsas modéstias, que neste momento, e para os combates políticos que temos pela frente, sou o militante melhor colocado para dirigir os destinos do partido na Figueira da Foz”, diz Miguel. E a partir daí discorre sobre os novos tempos – não há notícia de tempos que se repitam tout court, mas os políticos insistem no chavão, à direita e à esquerda – e as novas ideias… que aguarda.

Exactamente. À semelhança de Pedro Passos Coelho, seu líder nacional e primeiro-ministro de todos nós, Miguel quer ouvir, não Portugal, mas a Figueira. Se bem que, com tantas deslocações a Lisboa, o mais provável é que também possa escutar umas dicas com sotaque alfacinha, quiçá do (seu) próprio mentor. E como, e quem, e para quê… é que Almeida quer ouvir as ideias? De alma e coração, já se sabe. Com cabeça, espera-se.

Mas, para já, com uma espécie de veste de caça-talentos: ele quer ouvir todos, militantes e não militantes, “mulheres e homens que tenham uma vivência cívica forte, na sua rua, no seu bairro, na sua freguesia, no nosso concelho”, e que por isso também podem render votos, nas eleições internas e nas seguintes, mas de certezinha que isso agora não interessa nada. 

“A lista para os órgãos concelhios será formada de uma forma inovadora, não só pelos tradicionais convites pessoais, mas também, e acima de tudo, pela inclusão de militantes que venham a demonstrar vontade de participar neste novo projecto”, anuncia. Como serão convidados estes militantes voluntariosos, uma vez que não será através dos «tradicionais convites pessoais», é coisa que ainda nos escapa: impõem-se? Voluntariam-se? Inscrevem-se e é por ordem de candidatura? Desatam a correr rua da Liberdade abaixo e ganha o primeiro a chegar à sede? Mistério…

Pouco importa. O que importa é preparar a batalha das eleições autárquicas, para “devolver aos figueirenses a esperança de que é possível viver num concelho que se afirme no contexto regional”… e blá blá blá…  “É urgente resgatar o brilho de outros tempos; é preciso voltar a colocar a Figueira no mapa”. Podia haver uma frase do estilo “os revivalismos estão na moda”… mas não há, lamentavelmente!
Mas com que projectos? Isso vê-se depois, quando os tais novos rostos providenciarem as ideias de que, até ver, nem sombra…!

Last but not the least… Miguel Almeida, que não nasceu agora para a política, quer apostar nas novas plataformas, ou seja, vai promover a sua candidatura na Internet e no Facebook, pelo menos. Porquê? Porque já percebeu que há uma grande e motivada comunidade de cibernautas que faz opinião, que espalha tendências, que se deixa seduzir mais facilmente pelo virtual do que arrastar para comícios. E porque não é difícil perceber que se nas autárquicas o combate for contra João Ataíde… nem o ciberespaço é território que lhe seja especialmente querido, nem se prevê que, à época, o presidente da Câmara tenha ainda ao seu lado quem possa ser o seu avatar candidato.

Almeida só peca, neste anúncio, por recuperar as gastas, descredibilizadas e até já motivo de chacota, figuras do “gabinete de estudos” e “conselho consultivo”. Ele bem garante que “não serão dois órgãos para fazer de conta”, e até atiça a curiosidade com um liminar “como se verá pelas pessoas que os presidirão”.
Mas, de alma e coração, os figueirenses estão saturados, imunizados até, contra este discurso. “Destas duas estruturas sairá muito do pensamento político que guiará os destinos do partido para os próximos dois anos e as bases do programa eleitoral com o qual nos apresentaremos às próximas eleições autárquicas. Iremos organizar vários debates e conferências em moldes inovadores e que a seu tempo serão apresentados”, anuncia Miguel Almeida, num discurso a fazer lembrar (um bocadinho, só mesmo um bocadinho) o do Movimento Figueira 100%, aquele cuja pré-coligação com o PSD abortou ainda antes da concepção. 


“Ah, não querem coligar-se connosco? Então apropriamo-nos do vosso registo de abertura à sociedade civil”, deve ter pensado Miguel Almeida. Mas se com o Movimento, à primeira, este registo até «colou», porque tinham como bandeira não ter um partido às costas, já do candidato (a candidato?) e do PSD exigir-se-á mais: ideias próprias – aquelas que têm faltado na Figueira – e um plano que, para além de alma e coração, tenha cabeça.







Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

A irritação

Quem assistiu à última reunião de Câmara podia dar por si como que transportado para um passado mais ou menos recente. Não um passado de grandes recordações, note-se. Ver o juiz João Ataíde, exaltado e de dedo em riste em direcção a Miguel Almeida - que lhe devolvia o gesto e a exaltação - não é, propriamente, hábito.
A coisa até começou assim para o 'sumida', a proposta de dissolução de uma empresa municipal - e poupo-vos os pormenores que a peça literária não tem interesse por aí além - assumida, não pelos políticos mas por um administrativo e a oposição mais interessada em discutir comunicados que outra coisa qualquer. 
Resumindo: para além dos irritados João e Miguel, Daniel Santos irritou-se... quer dizer, leu uma irritação qualquer que alguém lhe escreveu. Teresa Machado também se irritou um bocadinho - e, convenhamos, irritou quase toda a gente (Miguel Almeida incluído) com a indefensável defesa que fez do passado da dita empresa municipal. Na resposta, Carlos Monteiro irritou-se (e irritou-se à séria), Isabel Cardoso quase que se irritou... e António Tavares, careca de se irritar, levou pausadamente Miguel Almeida a pedir desculpas públicas a João Ataíde por um qualquer excesso... de irritação. 
Estava já o executivo a digerir o stress (menos João Armando, a quem estas irritações passam ao lado) eis que surge uma levemente irritada Ilda Simões - que depois deste episódio fica conhecida como "A Ghandi do Limonete": mas para quê tanta irritação, se todos são, afinal, bons amigos? Irra...!

Nota final: a reunião lá acabou, na paz do senhor, com os votos favoráveis de PS e PSD. Original foi a posição do movimento Figueira 100 por Cento... votem mas façam de conta que não estamos aqui!
Ou seja: o salão nobre dos Paços do Concelho que teve, em tempos, um fantasma, personalizado num deputado municipal do CDS... agora tem dois! Isto promete!


Nota suplementar (e actualizada): Uma semana depois deste episódio, foi o autor abordado por Daniel Santos, levemente irritado por aqui ter lido que o texto escrito não seria da sua (dele) autoria. Afinal é. Pronto, fica feita a correcção. Vale?